domingo, 15 de março de 2026

A Escola da Vida: Para que Estamos Nós Neste Mundo? (Uma meditação a partir do Catecismo Popular de Spirago)


Cleidson, um católico romano - Reflexões

Estava com o Catecismo Popular de Francisco Spirago e me deparei com uma pergunta tão simples quanto profunda: "Para que estamos nós neste mundo?"


Parece óbvio, não é? Mas na correria do dia a dia, entre os compromissos da Missão, as lutas da família e os desafios da vida, é tão fácil agir como se o fim último fosse outro. Spirago usa uma imagem que me tocou: somos como o estudante que vai à escola não para ficar nela para sempre, mas para se preparar para uma carreira, para um fim. A vida é a escola. A terra é o caminho. O fim é a felicidade eterna.

E logo vem o alerta: "Todo aquele que só tende a ajuntar tesouros terrestres, a ganhar honras, a comer e beber, a gozar os prazeres dos sentidos, procede de maneira tão insensata como o servo que, em lugar de servir ao seu senhor, passa o tempo em ocupações acessórias."

Quantas vezes eu, Cleidson, não faço exatamente isso? Deixo-me envolver pelas "ocupações acessórias". O trabalho, os problemas, os projetos do apostolado, até as preocupações legítimas, podem tornar-se um fim em si mesmas. E eu me esqueço de que sou apenas um administrador dos bens de Deus, um servo na vinha do Senhor. O texto me lembra que sou um viajante, um peregrino. "Não temos aqui morada permanente, mas procuramos a que há de ser" (Hebreus XIII, 14).

O Catecismo é cirúrgico ao falar dos bens deste mundo: eles são meios, não o fim. Spirago os compara a um fósforo: "é um meio necessário para fazer luz, mas, afinal, queima os dedos de quem o segura muito tempo". Ou a uma escada: cada criatura é um degrau para subir a Deus.

E aqui está o ponto do equilíbrio que preciso sempre revisitar: não posso ter apego demasiado, mas também não posso ter uma aversão exagerada. Os bens, as relações, o próprio corpo, são instrumentos dados por Deus para me ajudar a conquistar o céu. O problema não está neles, mas no meu coração, que teima em parar no degrau e se esquecer de que ele é apenas um meio para subir mais alto.

O texto me confronta com a imagem do vagalume: "brilha de noite, mas de dia é negro e esconde-se; os prazeres mundanos são como ele; brilham durante a noite desta vida passageira e o seu esplendor desaparece ao raiar o grande dia do Juízo".

Por outro lado, Spirago me consola ao lembrar que só o Evangelho de Cristo é capaz de nos dar um contentamento interior já aqui. É a água que Jesus prometeu à Samaritana: "Aquele que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede". A verdadeira felicidade não está nas coisas, mas na paz de uma consciência pura, no "reino de Deus que é justiça, paz e gozo no Espírito Santo".

Então, para a minha vida, para o meu hoje, fica este propósito:

Relembrar o fim: Não estou aqui por acaso. Estou aqui para glorificar a Deus e, assim, alcançar a felicidade eterna. Preciso começar o dia perguntando: "Isto que vou fazer, serve a este fim?"


Usar os meios, sem me prender a eles: Que os bens, o dinheiro, o tempo, sejam meus servos, e não meus senhores. Usá-los com gratidão, mas com a mão aberta, pronto a devolvê-los quando Deus pedir.


Buscar a água viva: Não posso esperar que as coisas da terra me deem a paz que só Deus pode dar. A oração, os sacramentos, a leitura espiritual (como este Catecismo) são as fontes onde preciso beber todos os dias.

Que Nossa Senhora, que guardava todas as coisas no coração, me ajude a nunca esquecer que sou um peregrino, e que a minha verdadeira casa está onde Ela já está: no céu. Porque, como diz Santo Agostinho, ecoado por Spirago: "O nosso coração está inquieto, ó Senhor, até repousar em vós!"

Cleidson, Um Católico Romano
Missão Regnum Mariae


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