Sobre a participação dos fiéis na Missa segundo o rito de Paulo VI Observações pastorais da Missão Regnum Mariae (Inspiradas no texto de Joathas Soares Bello e adaptadas à posição da Missão) A Missão Regnum Mariae reconhece que a situação litúrgica atual da Igreja é complexa e dolorosa para muitos fiéis que amam profundamente a Tradição. Por isso, adotamos uma postura de prudência, caridade e discernimento, sem julgamentos precipitados, e sempre à luz da fé católica na indefectibilidade da Igreja.
1. Fiéis simples, piedosos e de boa fé
Se uma pessoa não conhece os problemas teológicos, pastorais ou simbólicos da Missa nova, mas participa com fé, simplicidade e amor sincero a Nosso Senhor Jesus Cristo, essa pessoa pode, sim, santificar-se. A graça de Deus não está presa à perfeição das circunstâncias humanas. Mesmo quando há fragilidades no rito ou na celebração, Deus pode agir eficazmente na alma de quem O busca com reta intenção. Como afirma o autor, ainda que exista um “obstáculo psicológico para o aproveitamento da graça”, a pessoa de boa fé pode ser justificada e beneficiada pela ação divina.
2. Fiéis conscientes que se abstêm por motivo de consciência
Há fiéis que, conhecendo as ambiguidades e problemas do rito reformado, decidem, por motivos de consciência, não participar da Missa segundo o rito de Paulo VI, mesmo na ausência da Missa tradicional. Essas pessoas agem movidas por zelo, amor à Tradição e desejo sincero de fidelidade a Cristo. A Missão Regnum Mariae reconhece que, em determinadas circunstâncias, essa posição pode ser moralmente lícita, sobretudo quando nasce de uma consciência reta, bem formada e isenta de espírito de desprezo ou ruptura. Entretanto, afirmamos com clareza: essa não é, para nós, a posição mais prudente nem a via ordinária. Não a propomos como norma geral para os fiéis, nem como modelo espiritual universal. Cremos que a prudência pastoral recomenda, sempre que possível, permanecer unido à vida sacramental da Igreja, evitando tanto os abusos quanto a mentalidade de ruptura, e buscando viver a fé com espírito de reparação, fidelidade e paciência sobrenatural.
3. Fiéis conscientes que continuam participando por espírito de sacrifício
Há também aqueles que, mesmo conhecendo os problemas do rito, continuam participando da Missa nova por amor à Eucaristia, por união com o sacrifício de Cristo e como forma de oferecer a Deus sua dor e sua fidelidade. Essa atitude pode ser espiritualmente fecunda e legítima, quando feita com reta intenção, espírito de reparação e profundo recolhimento. Entendemos ser esta a posição mais prudente.
4. Limite moral absoluto: quando não se pode assistir
Há um critério objetivo que deve ser respeitado por todos: Não é lícito assistir a celebrações em que haja impiedade, blasfêmia, escândalo grave ou deformação manifesta da fé. Quando uma celebração contradiz abertamente a intenção da Igreja, a doutrina católica ou o respeito devido ao Santo Sacrifício, o fiel tem o dever moral de se afastar.
Posição própria da Missão Regnum Mariae A Missão Regnum Mariae:
Reconhecemos a validade da Missa nova quando celebrada com intenção reta e segundo as rubricas da Igreja. Reconhece que ela pode produzir frutos de santificação. Reconhece suas ambiguidades e fragilidades. Prefere, sempre que possível, a Missa tradicional e os institutos plenamente reconhecidos pela Santa Sé. Compreende os dramas de consciência de muitos fiéis. Rejeita abusos litúrgicos graves e escandalosos. Recusa tanto o modernismo quanto o espírito de ruptura.
Afirmamos, no entanto, com clareza, que não consideramos a nova missa inválida. Quando celebrada com intenção reta e dentro das rubricas, é válida e capaz de produzir frutos de santificação. Reconhecemos que a missa nova possui ambiguidades litúrgicas e que nem sempre é celebrada conforme as normas da Igreja. Ainda assim, na ausência de uma comunidade tradicional próxima e estável — especialmente quando não há acesso real a institutos como o IBP, a FSSP ou o ICRSS —, participamos da missa nova mesmo com suas limitações, desde que não haja abusos litúrgicos graves e objetivamente escandalosos. Buscamos vivê-la com o maior recolhimento e espírito tradicional possível, interiormente unidos à espiritualidade da missa tradicional, oferecendo a Deus o sacrifício com fé, reverência e união à Tradição da Igreja. Cremos que, mesmo com limitações, os Sacramentos celebrados no rito novo podem conduzir à santidade quando vividos em um contexto de fé, formação doutrinal e coerência entre vida e fé. Assim, a indefectibilidade da Igreja se manifesta: em ambientes onde se vive o senso sobrenatural da fé, a Tradição age como um filtro que conserva a ortodoxia e protege os fiéis.
Por isso, nossa postura é: fidelidade sem ingenuidade, crítica sem rebeldia, obediência sem servilismo, tradição sem cisma.